Pisada na ponta dos pés (pé equino)

21/12/2019

Uma das grandes emoções da vida dos pais de crianças é o momento em que os filhos começam a andar. Os primeiros passos costumam ser históricos para as famílias que registram em fotos e vídeos. Entretanto, logo após o começo dessa atividade, é preciso acompanhá-los de perto e ficar de olho no modo de andar das crianças. Pés planos (chatos) e andar na ponta dos pés, muitas vezes, são acontecimento temporários que acontecem devido ao corpo da criança ainda estar imaturo e estar se adaptando a atividade que está realizando.

Durante o início da marcha não é infrequente a criança andar na ponta dos pés. Isso não é significado de uma alteração neurológica ou ortopédica, mas pode ser. A maioria das vezes isso tem relação com a coordenação motora que ainda está em desenvolvimento. Os pais não precisam se desesperar nesses casos. À medida que ocorre o desenvolvimento, a marcha tende a se estabilizar.

Mas andar na ponta dos pés é uma condição que deixa muitos pais ansiosos, essa alteração ocorre em algumas crianças quando começam a andar. Na grande parte ocorre uma resolução de modo espontânea, mas apesar da maioria curar espontaneamente, alguns casos podem estar relacionados a problemas neurológicos (como paralisia cerebral e autismo), daí a importância de ser melhor investigada por um profissional habilitado.

A marcha na ponta dos pés é considerada normal desde o início da marcha até um e meio de idade. Entretanto, após algum tempo que a criança já consegue andar sozinha, é necessário observar se ela ainda tem o hábito de andar na ponta dos pés e, caso persista é recomendado uma avaliação com um médico para que avalie se a mesma é secundária a alguma patologia ou idiopática (sem causa definida)

Causas

Pés equinos podem ser causados por diversos fatores, desde imaturidade do sistema nervoso central (observados em crianças normais até os 02 anos de idade ) - fazendo com que não haja a coordenação motora específica para que a criança consiga andar da maneira correta, porém, nesse caso, a criança anda na ponta dos pés de maneira espontânea e, na maioria das vezes, o problema é corrigido com o tempo - até contraturas musculares espásticas observada em crianças com paralisia cerebral. Logo é importante tentar obter o diagnóstico para assim direcionar o tratamento.
O profissional precisará analisar inúmeras informações sobre o paciente como, por exemplo, se houve um nascimento antes do tempo (prematuro), se a criança teve alguma dificuldade respiratória no momento do parto, se ela precisou ficar internada em uma UTI neonatal, entre outros detalhes. Essas características quando associada à hipertonia do conjunto gastrocnêmio-sóleo (panturrilha) leva a pensar em pacientes com paralisia cerebral do tipo espástico. Uma característica importante desta doença é sua apresentação de característica progressiva, onde no exame físico encontra-se encurtamento da musculatura acima citada com uma deformidade rígida ou não.

Em menores proporções algumas crianças que conseguem colocar o pé inteiro no chão mas preferem andar na ponta dos pés e que possui outras características comportamentais, como atrasos no desenvolvimento, apatia, atraso na fala e dificuldade em socialização. Pode estar associado com transtornos autistas, logo uma avaliação com neuropediatra é recomendado

Andar na ponta dos pés isoladamente não caracteriza o transtorno do espectro autista.

O mais observado em consulta de rotina são crianças 100% saudáveis que persistem em andar na ponta dos pés. Isso é conhecido como equino idiopático, são crianças sem nenhuma condição patológica e é diagnosticado com a exclusão de todas os outros tipos citados abaixo. A caminhada idiopática é a presunção de que a criança simplesmente criou o hábito de andar na ponta dos pés.

Tratamento

O tratamento para as alterações de marcha pode ser tanto conservador (maioria), quanto cirúrgico.

No tratamento conservador, o mais importante é que paciente passe por acompanhamento ambulatorial frequente para avaliação da melhora na marcha , pode ser prescrito sessões de fisioterapia com o objetivo de alongar o tendão e a panturrilha caso haja encurtamento de alguma estrutura. A fisioterapia também serve para treinar a criança para andar da maneira correta. Em alguns casos bem específicos, o uso de órtese pode ser útil como medida adjuvante e também pode ser indicado o uso de toxina botulínica (Botox), com o objetivo de relaxar os músculos da perna para que o calcanhar possa alcançar o chão durante o caminhar. Reforçando que essas medidas são sempre da minoria dos casos e sempre após uma avaliação detalhada individualmente, pois as mesmas se indicadas de forma errônea pode fazer até mal a criança. 

Já o tratamento cirúrgico, que é feito apenas quando não o tratamento conservador não surtiu efeito ou não é uma opção, alonga-se o tendão da criança, garantindo que ela tenha uma recuperação total. O pós-operatório da cirurgia faz apenas o uso de órtese e de sessões de fisioterapia quando recomendado.

É importante que os pais entendam a questão da marcha equina, não como uma atividade feita pela criança por brincadeira. Trata-se de um problema que precisa de ajuda especializada e o paciente não tem culpa do que está acontecendo. O ideal é procurar um ortopedista pediátrico para avaliar a condição do paciente e assim instituir o tratamento adequado.